No "Encontro com Cientista" de hoje, as crianças do JI Pintor Almada Negreiros e do 4.º ano da EB/JI Alta de Lisboa conheceram a investigadora Paula Matos, do IGOT – Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa. A cientista dedica o seu trabalho à biogeografia da Antártida, estudando o impacto das alterações climáticas na distribuição da vegetação deste território — um impacto que só pode ser avaliado a partir do conhecimento rigoroso do que existe atualmente.
A sessão começou com uma conversa sobre a localização e as características da Antártida: um continente quase inteiramente coberto de gelo (apenas 2% está livre dele), com a temperatura mais baixa alguma vez registada de -80 °C e onde se encontra armazenada a maior parte da água doce do planeta. A investigadora explicou que é o único continente sem habitantes permanentes, reservado por lei exclusivamente à paz e à ciência. As expedições decorrem apenas entre janeiro e março, o verão austral, e a chegada faz-se de barco — numa travessia agitada, com ondas até 5 metros, considerada normal — ou de avião, em pistas improvisadas.
Sobre a vegetação, a cientista explicou que a sua distribuição está diretamente relacionada com a temperatura: junto ao mar é mais abundante e verde, enquanto nas zonas mais altas e frias escasseia, dando lugar às rochas. Existem apenas dois tipos de plantas vasculares; toda a restante vegetação é rasteira. O líquen Usnea é a espécie mais comum, com um crescimento de apenas um milímetro a cada dez anos. Quanto à fauna, o continente alberga pinguins, outras aves, orcas, baleias e focas — todos protegidos por lei, sem que qualquer atividade humana, incluindo o trabalho científico de campo, possa interferir na sua vida.
A investigadora partilhou ainda vídeos e imagens do quotidiano nas bases internacionais de investigação, mostrando como é a alimentação e as atividades de lazer no único dia de descanso semanal, como ping-pong, torneios de badminton e churrascos.
A sessão terminou com uma atividade prática em que os alunos identificaram, com autocolantes coloridos, os diferentes tipos de vegetação em imagens reais tiradas pela própria cientista durante as suas saídas de campo — replicando, assim, parte da metodologia que ela utiliza no terreno.