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BOTÂNICA

Jacarandás e outras árvores (8)

Esfera Armilar

Todos os anos, há quem faça disto um ritual – descobrir o primeiro Jacarandá a florir em Lisboa. O nome indígena tupí-guaraní revela a origem exótica desta árvore da América do Sul. É uma árvore de pequeno porte, alcançando cerca 15 m de altura. O caule é um pouco retorcido e a copa é arredondada e irregular, arejada e rala, perdendo a folhagem no inverno. Os seus frutos são verdadeiras cápsulas de madeira, com formato semelhante a conchas que, quando maduras, libertam centenas de sementes aéreas. Floresce em Maio e Junho, embora possa fazê-lo de forma extemporânea fora destes limites, apresentando flores perfumadas e grandes, de coloração azul ou arroxeada, em forma de trompete. É muito utilizada na ornamentação de ruas, praças e parques, uma vez que as suas raízes aprumadas e profundas não danificam a calçada. Foi uma das espécies introduzidas por Félix de Avelar Brotero, enquanto director do Jardim Botânico da Ajuda (1811-1828). Depois de aclimatizado, o jacarandá (nome científico Jacaranda mimosifolia) foi plantado por toda a cidade. Pode apreciar-se no Campo Pequeno, no Parque Eduardo VII, no Largo do Carmo ou na Av. D. Carlos I. No final da Primavera, origina uma explosão violeta que parece alastrar-se pela cidade, adicionando “sabor tropical” a uma Lisboa entre o Mediterrâneo e o Atlântico…

Mas há outras árvores em Lisboa que, pelo seu porte ou pelo colorido, merecem também a sua atenção. Tal como o jacarandá, os dois exemplos seguintes são espécies exóticas sul-americanas, também elas introduzidas por Avelar Brotero. A paineira branca (Chorisia speciosa) pode ser vista junto ao Mosteiro dos Jerónimos, na Praça da Alegria ou no Campo Mártires da Pátria. É uma árvore de grande porte, copa densa e folhagem caduca, que pode atingir 30 metros de altura. As flores são grandes e muito vistosas, de um tom rosa escuro mas com a base das pétalas creme, ponteada de vermelho. Os frutos são grandes cápsulas esverdeadas que encerram numerosas sementes envolvidas por filamentos sedosos. No nosso País floresce no Outono-Inverno.

A tipuana (Tipuana tipu), com flores de um amarelo alaranjado vivo, pode apreciar-se na Rua do Arsenal, na Avenida Elias Garcia, no Saldanha, junto à Basílica da Estrela, no Cais do Sodré.

Duas outras espécies, com nomes bem portugueses e implantadas há muito tempo no país, são também exóticas. O cedro do Buçaco, também conhecido como cipreste-do-Buçaco ou cedro-de-Goa tem como nome científico Cupressus lusitanica. Cupressus é o nome em latim para designar cipreste e lusitanica significa procedente da Lusitânia (Portugal), apesar de ser uma espécie originária da América Central. Esta árvore pode atingir 30 m de altura, com copas abertas e ramos patentes. As folhas são escamiformes, agudas e de um tom verde azulado e o tronco tem casca espessa, castanha-avermelhada, fibrosa e estriada longitudinalmente. A espécie foi descrita a partir de cedros procedentes de Portugal, onde se pensa ter sido introduzido durante a época dos Descobrimentos por navegadores portugueses, responsáveis também pela sua introdução em Goa. Pode apreciar-se no Jardim do Príncipe Real.

Já o dragoeiro (Dracaena draco) tem a sua origem do seu nome científico em Dracaena, que deriva do grego e refere-se ao dragão ou serpente fêmea; e em draco, a designação latina para dragão. É proveniente de Cabo Verde, Ilhas Canárias e Madeira, mas os exemplares silvestres são muito raros. É cultivada em Portugal há centenas de anos. Foi daqui que Lineu obteve informação que lhe permitiu descrever a nova espécie, em meados do séc. XVIII.

Trata-se de uma planta lenhosa, arborescente, com um tronco direito que se ramifica dicotomicamente, e folhas coriáceas, lineares, pontiagudas, verde-azuladas, dispostas em espiral na parte apical dos ramos. As flores são brancas, dispostas em cachos, e os frutos são bagas vermelho-alaranjadas.

Era desta planta que se podia obter, antigamente, o chamado “sangue de dragão”, uma resina vermelha que emanava das gretas do tronco e se condensava em lágrimas. Era utilizada medicinalmente pelas suas qualidades adstringentes e também pelos pintores para trabalhos delicados.

Uma das primeiras descrições desta planta foi publicada por Clusius (Charles l’Ecluse) no seu livro Rariorum aliquot stirpium per Hispanias observatorum Historia [Antwerpiae, Anvers, 1576], acompanhada de um desenho elucidativo, baseado num exemplar que encontrou em Lisboa, em 1564, no Convento da Graça. Pode apreciar-se ainda hoje, por exemplo, no Jardim da Fundação Oriente ou na Rua do Salitre.


13 Metro Oriente

Em Lisboa, à descoberta da Ciência e da Tecnologia. Vagueando pelas ruas